O QG dos meus Escritos..(Realidade ou Ficção?? sabe-se lá! - Qualquer semelhança com você, suas opiniões, seus desejos e vontades, pode NÃO ser mera coincidência!)

17 de jan. de 2009

A vida pregando peças.

Foi interessante ouvir aquele homem falando de maneira tão alheia do fim do seu “caso”, sem se dar conta da paixão que existia dentro de si.
Casado, pai de dois filhos já adultos, bem estabelecido, realizado profissionalmente, enfim, um homem maduro, dono de si, mas que naquele momento comparava-se com um menino ingênuo que ainda não havia se dado conta do quanto aquela mulher representava na sua vida.

Vivera fortuitamente um romance que no principio devia ser mais um dos muitos casos que teve ao longo de um casamento frustrante, mas que as circunstancias da vida lhe impunha e o prendia e, talvez pela ânsia de viver que tinha e não conseguia satisfazer nesta altura da vida, não se preservou como das outras vezes e a relação foi ocupando espaço, criando rotina, preenchendo seus momentos, seus dias e seus pensamentos.

Tinha alguém com quem compartilhar sua vida doméstica tão aborrecível. Alguém que lhe dava carinho e afeto somado à realização de desejos e fantasias nunca vividas.

Foram dois anos de cumplicidade sem culpas, sem remorsos e cobranças. Tinha consigo que tudo não passava de uma relação banal e passageira que objetivava unicamente momentos de gozo, até o dia que tudo teve um fim.

Ela era bem mais jovem, solteira e com uma vida toda pela frente. Sozinha se deixou seduzir por aquele homem de porte elegante, educado, carinhoso e dedicou-se unicamente a ele sem restrições.
Contudo, aos olhos da sua família, uma jovem bonita sem vida social, sem amigos, era estranho e as cobranças e questionamentos começaram a surgir colocando em risco a privacidade da sua relação.

Diante das pressões e pensando nos riscos que corriam, decidiram juntos que ela deveria aceitar o assedio de um amigo que há muito insistia em namorá-la.
Para ele isso não tinha importância alguma já que ela não passava de mais uma, dentre muitas outras que já tivera.
Naquele momento a sua preocupação era apenas com a segurança e a certeza de que o seu casamento não estaria sob risco algum.

Mas, o destino não foi assim tão complacente e pregou-lhes uma peça.
Ela engravidou do namorado e foi obrigada pelos pais se casar, pondo assim um ponto final naquela relação secreta, descompromissada, mas ao mesmo tempo tão intensa.

No começo ele não sentiu a separação. Foi preciso. Mas, poucas semanas passaram e sua vida tornara-se novamente monótona e vazia. Dizia-me que não estava bem. Que tinha a cabeça confusa e o corpo indisposto para enfrentar o dia.
Insisti inúmeras vezes para encontrá-lo e conversar, mas aquele homem sempre dava a volta prometendo retornar a ligação para marcar nosso encontro.

Como sua amiga e preocupada com o seu recolhimento, insisti até o dia que deu certo e ele aceitou o meu convite.

Não foi preciso perguntar nada. Estava estampada no seu rosto uma tristeza diferente que ele não tentava disfarçar e quebrando um longo silencio, começou do nada, a me contar sobre tudo.

Confessou-me que lhe era estranho não ter mais aquela rotina dos encontros. Que para qualquer mulher que olhasse sempre a via e por vezes pensou te-la visto vindo em sua direção nos lugares mais improváveis.
Contou-me das suas intimidades e do quanto tudo aquilo lhe fizera bem.
Seus olhos brilhavam enquanto falava. A tristeza que carregava no rosto desapareceu. Era outro homem enquanto se referia àquela mulher.

Fiquei ali, sentada, com um copo de vinho na mão, ouvindo aquele “adolescente apaixonado”, contar sobre o que mais parecia o seu primeiro amor, e me encantava com o seu semblante que iluminava com o brilho dos seus olhos a medida que se confidenciava.

É raro ver um homem expor de forma tão clara e sem receios os seus sentimentos. E confesso que em alguns instantes senti inveja daquela mulher. A maneira como ele se referia a ela. Seus encantos e até mesmo seus defeitos.
Falava no tempo presente, como se ainda estivessem juntos até ele próprio notar e retificar como passado.

Ocorre que até aquele momento na sua cabeça o que parecia sentir falta era apenas da rotina dos encontros. Da adrenalina, da aventura, da saciedade dos seus desejos carnais.
Não entendera até então que a falta na verdade era da pessoa. Era daquela mulher que por tanto tempo o aceitou e se dedicou a ele sem pedir nada em troca.

Foi encantador ver um homem tão apaixonado sem dar conta disso e só depois que ele se calou, consegui que compreendesse o que acontecia dentro de si.

No começo relutou, defendeu-se, negou, até mesmo porque não deseja mudar o rumo da sua vida. Tem família, uma vida confortável e organizada, como ele mesmo disse.

Não insisti. Não tinha esse direito. Deixei que refletisse depois e chegasse sozinho a conclusão que estava apaixonado. Que mesmo sem querer, mas já pela sua carência, estava completamente perdido sem ela no seu dia.

Encerramos a conversa sem conclusões tiradas a serio. Mas lá no fundo do seu coração ele entendeu tudo o que se passava.
Mas agora já não havia o que fazer. Tinha que seguir em frente.

Era a vida lhe pregando outra peça....

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